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segunda-feira, 21 de março de 2011

Edson Luiz, Herói Nacional


Edson Luís de Lima Souto (Belém24 de fevereiro de 1950 — Rio de Janeiro28 de março de 1968) foi um estudante secundarista brasileiro assassinado pela Polícia Militar durante um confronto no Restaurante Calabouço, centro do Rio de Janeiro. Edson foi o primeiro estudante assassinado pela Ditadura Militar e sua morte marcou o início de um ano turbulento de intensas mobilizações contra o regime militar que endureceu até decretar o chamado AI-5.
Nascido em uma família pobre, iniciou os estudos na Escola Estadual Augusto Meira em Belém do Pará. Mudou-se para o Rio de Janeiro para fazer o segundo grau no Instituto Cooperativo de Ensino, que funcionava no restaurante Calabouço.

Dia de sua Morte
No dia 28 de março de 1968, os estudantes do Rio de Janeiro estavam organizando uma passeata relâmpago para protestar contra a alta do preço da comida no restaurante Calabouço, que deveria acontecer no final da tarde do mesmo dia[3].
Por volta das dezoito horas, a Polícia Militar chegou ao local e dispersou os estudantes que estavam na frente do complexo. Os estudantes se abrigaram dentro do restaurante e responderam à violência policial utilizando paus e pedras. Isso fez com que os policiais recuassem e a rua ficasse deserta. Quando os políciais voltaram, tiros começaram a ser disparados do Edifício da Legião Brasileira de Assistência, o que provocou pânico entre os estudantes, que fugiram.
Os policiais acreditavam que os estudantes iriam atacar a Embaixada dos Estados Unidos e acabaram por invadir o restaurante. Durante a invasão, o comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo, atirou e matou o secundarista Edson Luís com um tiro a queima roupa no peito. Outro estudante, Benedito Frazão Dutra, chegou a ser levado ao hospital, mas também morreu.

O Instituto Cooperativo de Ensino situava-se em um anexo do restaurante Calabouço e era chamado pelos militares de "Instituto Comunista de Ensino". Ali estudavam jovens mais pobres, como o próprio Edson, que se alimentavam no restaurante, com preços mais baixos, sendo que muitos trabalhavam também no local.

No restaurante também se situava a União Metropolitana de Estudantes (UME).

O restaurante era palco de protestos contra a má qualidade da refeição servida pelo governo e pela conclusão das obras do local, por isso o Calabouço era visto pelo regime militar como um foco de agitação estudantil. Quem liderava os protestos era a Frente Unida dos Estudantes do Calabouço (Fuec). Não demorou muito para se tornar o local de organização de manifestações contra a ditadura.

Corpo de Edson Luiz cercado por estudantes

Calabouço
O Restaurante Central dos Estudantes foi inaugurado em 1951, como parte da política populista de Getúlio Vargas. O restaurante oferecia comida a baixo custo para estudantes de baixa renda no Rio de Janeiro.

Em 1951, o restaurante foi inaugurado na antiga sede da UNE, na Praia do Flamengo, mas no ano seguinte foi transferido para a Avenida Infante Dom Henrique. O apelido Calabouço foi dado, pois corria a história de que o local havia sido uma prisão de escravos. Nessa época, o restaurante pertencia ao Ministério da Educação, mas era administrado pela União Metropolitana dos Estudantes (UME).

Com o Golpe Militar de 1964, o restaurante foi fechado por três meses e reabriu sob o controle dos militares. Em 1967, o governo do Estado da Guanabara, sob pretexto de uma urbanização da região, anuncia a demolição do Calabouço, o que gerou batalhas entre a polícia e os estudantes. Foi então proposto pelo governador que o restaurante fosse reconstruído em outro local. Contudo, a demolição acabou acontecendo sem que o novo estivesse pronto. Em protesto a isso, os estudantes organizaram três meses de "pendura" em famosos restaurantes do Rio de Janeiro, até que fosse anunciada a abertura do calabouço. O restaurante foi entregue sem que tivessem terminado as reformas, o que deixava o local com péssimas condições de higiene. Foram as manifestações pelo término das reformas e pela melhor qualidade da comida que geraram os protestos que resultariam na morte de Edson Luís. Depois da invasão, a PM destruiu o Calabouço e o restaurante foi fechado definitivamente.

Sua Morte deu inicio a marcha dos Cem mil 



   Logo pela manhã, os participantes da passeata já tomavam as ruas do bairro da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. A marcha começou às 14h, com cerca de 50 mil pessoas. Uma hora depois, esse número já havia dobrado.
Além dos estudantes, também artistas, intelectuais, políticos e outros segmentos da sociedade civil brasileira engrossaram a passeata, tornando-a uma das maiores e mais expressivas manifestações populares da história republicana brasileira.
Ao passar em frente à igreja da Candelária, a marcha interrompeu seu andamento para ouvir o discurso inflamado do líder estudantil,Vladimir Palmeira, que lembrou a morte de Edson Luís e cobrou o fim da ditadura militar.
Tendo à frente uma enorme faixa, com os dizeres: "Abaixo a Ditadura. O Povo no poder", a passeata prosseguiu, durante três horas, encerrando-se em frente à Assembléia Legislativa, sem conflito com o forte aparato policial que acompanhou a manifestação popular, ao longo de todo o seu percurso.


Marcha dos cem mil, a maior na ditadura !





Manchetes da Época :

Ano 1968

PM Mata Estudantes Durante Invasão (Correio da Manhã)

Assassinato (Correio da Manhã)

Assassinato Leva Estudantes A Greve Nacional (Jornal do Brasil)

Polícia Mata Estudante (Diário de Notícias)

A Ordem Era Quebrar Tudo: PM Acabou Massacrando Estudante
(Diário de Notícias)

Negrão Demite Superintendente Da Polícia E Promete Apurar Tudo
PM Fuzila Estudante No Cabouço (O Jornal)

Polícia Mata Estudante – Morte No Calabouço – Uma Patrulha Da PM Abriu Fogo Contra Os Estudantes No Calabouço – Com Um Tiro No Coração Morreu O Jovem Nélson Lima Souto De 17 Anos – Assembléia Reunida – O Corpo Do Jovem Foi Para A Assembléia Legislativa, Que Se Reuniu Em Sessão Permanente – A Tensão Deu Origem A Sucessivos Incidentes – Negão Pune Culpados – O Governador Negrão De Lima Reuniu O Secretariado E Afirmou Que A Tranqüilidade Será Imediatamente Restaurada E Os Culpados Punidos (Última Hora)

PM Mata Estudante A Bala Na Rua (Última Hora)

Nélson Morreu Nos Braços Dos Companheiros (Última Hora)

Milhares De Pessoas No Funeral Do Estudante (O Dia)





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